Branca e gelada de neve

Onze centímetros de neve acumulados em cerca de 6 horas. Para mim, ainda é meio novidade. Por isso, talvez, eu seja a única adulta se divertindo de alguma forma com todo o gelo que caiu em Paris nesta quarta.

Dentro da cidade, a rede de ônibus parou completamente. O metrô, lotado, anunciava perturbações em várias linhas por culpa das “intempéries”. O trânsito estancou – no fim da tarde, segundo o jornal Le Parisien, a região parisiense tinha mais de 300 km de engarrafamento (veja bem, não estamos falando de São Paulo). A Torre Eiffel foi fechada.

Não nevava tanto assim em Paris desde 1987, segundo o instituto de meteorologia Météo France (o recorde absoluto foi em 1946, com 40 cm).

Com toda minha empolgação de brasileira, aproveitei que estava na rua para dar umas voltas – e, claro, comprar botas adequadas, antes que voltasse para casa com os pés gangrenados.

         

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parquer, c’est facile ! (2)

Quem me dera ter um Smart.

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greve e confusão em versão copy+paste

  

Queimada de carros, o esporte nacional francês (foto: AFP)

 

Protestos e ameaça de falta de combustível voltam a sacudir França

Mário Camera

De Paris para a BBC Brasil

A França voltou nesta segunda-feira a experimentar transtornos por conta das paralisações, operações-tartaruga, ameaças de falta de combustível e a adesão cada vez maior de trabalhadores e estudantes à greve contra a reforma da Previdência.

Motoristas e caminhoneiros organizaram operações-tartaruga em diversos pontos do país.

Somente na região parisiense, 192 km de engarrafamentos foram causados por manifestantes que dirigiam em baixa velocidade.

No setor ferroviário, a maioria das linhas de trem no país opera com apenas 50% de sua capacidade. Não há garantias de circulação para nenhuma delas.

Em Paris, a rede de metrô funciona com certa normalidade, mas o tráfego de trens ligando as periferias à capital registra fortes perturbações.

O Eurostar, que faz o trajeto Paris-Londres, funciona normalmente. No entanto, os sindicatos informaram que a partir da terça-feira seguirão um movimento de greve iniciado na Bélgica, que já interrompeu a ligação pelo Eurotunel entre Bruxelas e a capital britânica nesta segunda-feira.

Aviões no chão

Para esta terça-feira, estão previstas centenas de manifestações em todo o país. Milhões de pessoas devem ir às ruas.

O objetivo dos manifestantes é forçar o governo a recuar no projeto de reforma da Previdência, que tem, entre seus pontos mais polêmicos, o aumento da idade mínima de aposentadoria de 60, para 62 anos.

Segundo uma pesquisa publicada pelo jornal Le Parisien, 52% dos franceses se dizem favoráveis a uma nova jornada de greve no país. O número chega a 72% quando perguntados se têm simpatia pelo movimento.

(…)

[texto completo aqui]

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aleatório

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CLICHÊ (do francês “cliché”): lugar-comum, chavão.

Na França, todo mundo usa camisa listrada, lenço vermelho e boina – além, é claro, de andar sempre com uma baguete debaixo do braço. Todo mundo, menos Cédric Villain, um francês que nunca comeu rã, não gosta de vinho, bebe champanhe no máximo três vezes por ano e não mora em Paris. Incomodado com a visão estrangeira da França e dos franceses, Cédric fez o curta de animação Cliché !, listando de forma bem-humorada vários dos estereótipos mostrados em filmes e desenhos animados mundo afora.

Aqui o filme, em francês:

E aqui, na versão em inglês:

Bem, é verdade que muitos desses clichês são absurdos, mas não concordo totalmente com a lista do Monsieur Villain (ótimo nome, hein?). Claro, a baguete não “se usa” necessariamente debaixo do braço, mas é bastante comum ver as pessoas andando por aí com a sua. Grande parte dos franceses é machista, sim, e em geral os garçons e os taxistas são mesmo grosseiros (e orgulhosos disso). Os franceses não abrem mão dos dias de descanso (com razão) e adoram fazer uma greve.

Uma das grandes surpresas que tive quando cheguei aqui é que eles realmente falam “oh là là !”, em entonações variadas. Além disso, a famosa blusa listrada (a marinière) está na moda.

Claro, claro. Mesmo se verdadeiros, os clichês não passam de generalizações. Mas a Pollyanna dentro de mim consegue ver o lado bom disso: de que outra maneira um garçom simpático me daria a sensação de ter ganhado o dia? 

Mais sobre o filme, que me foi indicado pela Alyaaqui.

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dica de filme: “les doigts dans la tête”

Falha minha, nunca tinha ouvido falar de Jacques Doillon - mesmo que ele tenha passado o sobrenome à filha Lou, que teve com Jane Birkin, e que é modelo, atriz e queridinha de revistas de moda. Nunca tinha ouvido falar de Jacques Doillon até um dia em que entrei na sala das coleções do Forum des Images sem saber o que assistir.

Parênteses para o Forum des Images, obrigatório para os cinéfilos que venham com algum tempinho de sobra a Paris: subvencionado pela prefeitura da cidade, o Forum des Images tem como principal missão “constituir uma memória audiovisual de Paris”. Isso, na prática, quer dizer que além de ter salas de cinema, a instituição está sempre organizando ciclos, debates, eventos etc. Mas o melhor mesmo é a sala das coleções do Forum: uma biblioteca audiovisual com mais de 7 mil filmes (ficção, documentários, reportagens, de 1895 até hoje, sempre relacionados de alguma forma a Paris) disponíveis ao público nos sofás ou cabines da sala escura. Por 4 euros, você pega seus fones, senta na frente de uma tela e tem 3 horas para ver o que quiser da coleção. Lindo, não? O Forum des Images fica no medonho shopping Forum des Halles, no centro da cidade, local do antigo mercado (Les Halles).

Voltando ao Jacques Doillon, ele dirigiu Les doigts dans la tête (Touched in the head, o título em inglês), filme de 1974 que era o plat du jour recomendado pela coleção naquele dia. Fui assistir por curiosidade e fiquei muito surpresa, no melhor sentido possível. A história não tem nada de excepcional; Paris, década de 70, quatro adolescentes etc. Enfim, a sinopse adiantaria menos ainda do que o trailer:

A surpresa, fiquei sabendo depois, não era uma reação só minha. Muitos anos antes, meu querido François Truffaut soube explicar melhor do que eu:

Les doigts dans la tête é um daqueles filmes que, sem cair em uma espécie arbitrária de fantasia, nos surpreende do início ao fim, e que mesmo assim tem uma integridade que saudamos no final. Os filmes mais bonitos têm sempre esse tipo de lógica.”

E ainda:

“… é um filme engraçado e verdadeiro, um filme que canta com originalidade. (…) apesar de sua concepção incluir um modo de filmar pedaços da vida real, ele é verdadeiramente dirigido, fugindo de simples técnicas de reportagem. (…) Seu ponto forte é a atuação, tranquila e natural, tão natural que não há como não se perguntar, mais tarde, se o diálogo estava no script ou foi improvisado.”

Este texto do Truffaut sobre o filme foi publicado em The films in my life, e pode ser lido (em inglês) na página de Jacques Doillon no Facebook.

       

No Brasil, o filme recebeu o título Sem saída. Não sei se existe em DVD nacional, mas dá para comprar pela Amazon ou baixar de algum lugar, provavelmente. Vale a pena.

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paris, 1928

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gordinha não entra

Pelo menos no forno, segundo notícia do Le Parisien.

«Minha mãe, de 63 anos, faleceu na noite de sexta e quando fomos providenciar sua incineração, me disseram que não seria possível porque faltavam alguns centímetros para que ela passasse.» A mulher tinha entre 120 e 140kg, segundo o filho.

Não dá mesmo para ser gordo neste país.

empurra que dá!

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falando em “não pode isso, não pode aquilo”

Pertinente mesmo é este cartaz, que fica na entrada de uma loja de roupas no Marais:

UGG! CROCS! ECS!

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proibido lamber a lousa

AOS ALUNOS DAS ESCOLAS

É PROIBIDO:

1º Cuspir no chão;

2º Molhar os dedos na boca para virar as páginas dos livros e cadernos;

3º Introduzir em sua orelha a ponta de uma caneta-tinteiro ou lápis;

4º Cuspir sobre a lousa para limpá-la ou limpá-la diretamente com a língua;

5º Colocar na boca canetas-tinteiro, lápis, moedas, etc.

Você quer saber por que estas proibições lhe são impostas? Pergunte a seus mestres, que lhe darão as explicações necessárias.

Lembre-se, finalmente, que você não deve apenas obedecer a estas regras, mas que você também tem o dever de divulgá-las a todo mundo.

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Fotografei o cartaz acima na vitrine de um antiquário especializado em “assuntos escolares” na rue Saint-Paul. Como a loja estava fechada – era agosto - não consegui matar minha curiosidade sobre a veracidade das proibições. 

Bem, não demorou muito para que eu cruzasse com outra reprodução dessas pela rua, e uma rápida pesquisa pela internet me diz que estas regras ficavam afixadas nas paredes de escolas francesas no início do século XX. Um pouco assustador, mas me pareceu pertinente assim que me vieram à memória aquelas cenas escolares de Os incompreendidos.

Não sei como são as crianças e as escolas de hoje, mas um cartaz desses não ficaria assim tão mal no metrô, por exemplo. Eu tiraria essa parte de lousa e caneta-tinteiro, claro, acrescentando coisas como “cortar as unhas dentro de um vagão ou limpá-las com o ticket do metrô”, “importunar os outros passageiros com o cheiro de seu kebab”,  “deixar seu cachorro cagar no meio do corredor da estação”, “jogar no chão espigas de milho, cascas de bergamota etc.” ou mesmo um genérico e delicado ”achar que falta de higiene pessoal é um problema só seu”.

Aos infratores, nada que um ajoelhar no milho não resolva.

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